“A vizinhança está fazendo o que o Estado não faz”, desabafa moradora após desabamento na Fazenda Grande do Retiro

 

O medo toma conta da população do bairro Fazenda Grande do Retiro, em Salvador, após cinco casas desabarem na noite desta quinta-feira (03). Ana Paula, conhecida na região como Monalisa, tem sua casa condenada e vai precisar deixar o local: “Não tem como comparar minha casa com um Minha Casa Minha Vida, não aceito indenizaçãozinha, o negócio aqui é alto, a gente é alto. Na rua, nós já estamos desde 26 de agosto [quando os moradores começaram a ser evacuados]. Acabou tudo para mim e para os outros moradores” contou a moradora.

Já Marize, dona do bar do Milenium, moradora da região há mais de 45 anos, ressalta a união do bairro neste momento de sofrimento: ” Não vai ser indenização de R$300 que mudará a vida de alguém, isso não paga nenhum aluguel”, se solidariza com os vizinhos.

“Minha filha ontem estava em casa, eu vi ela tremer e chorar e falar, ‘minha mãe, isso aqui vai acabar, isso aqui é destruição’ e ninguém faz nada” complementa Marize.

O medo da população é antigo. Há nove anos, tragédia semelhante já havia ocorrido, contam os moradores do bairro. ” Começou a fazer a contenção para melhorar, mas não melhorou, só piorou tudo. Resumindo, ontem quando vieram o chão já estava tremendo. Essa encosta só veio para acabar com tudo” lembra moradora que preferiu não se identificar.

O sentimento de insegurança domina o bairro, moradores de ruas próximas já começaram a mudar da região. A Secretaria Municipal de Promoção Social e Combate à Pobreza (Sempre) já contabiliza 54 famílias que tiveram que deixar a região e buscar assistência.

Na tarde desta sexta-feira (04), a imagem vista no bairro era de famílias inteiras retirando os bens materiais de suas casas para tentar recomeçar: “Todo mundo aqui se ajudando, pondo móveis nas casas dos vizinhos. Quer dizer, a vizinhança está fazendo o que o Estado não faz, o Estado está vergonhoso” declara Marize.

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