Bahia é o 3° estado em mortes por homofobia

Em 2017, das 445 lésbicas, gays, bissexuais e transexuais (LGBTs) vítimas da homofobia no Brasil, 35 morreram na Bahia. Foi o terceiro estado em número de notificações de assassinatos e suicídios dessa população. Os dados são do relatório anual do Grupo Gay da Bahia (GGB), que considera o número do ano passado o maior em 38 anos, quando o monitoramento começou a ser feito pela entidade.

O levantamento realizado pelo GGB se baseia principalmente em informações veiculadas pelos meios de comunicação. Conforme a pesquisa, os estados que notificaram o maior número de casos, em termos absolutos, foram São Paulo (59 vítimas), Mina Gerais (43), Bahia (35) e Ceará (30). No levantamento de 2016, Minas aparecia na 5ª posição, com 21 mortes, o que mostra um aumento de 105% no intervalo de um ano.

Os dados de 2017 representam um aumento de 30% em relação a 2016, quando foram registrados 343 casos. Em 2015 foram 343 LGBTs assassinados, contra 320 em 2014 e 314 em 2013. O saldo de crimes violentos contra essa população em 2017 é três vezes maior do que o observado há 10 anos, quando foram identificados 142 casos.
A pesquisa do grupo também contabiliza mortes de heterossexuais. “Das 445 vítimas de homotransfobia documentados em 2017, 194 eram gays (43,6%), 191 trans (42,9%), 43 lésbicas (9,7%), 5 bissexuais (1,1%) e 12 heterossexuais (2,7%)”, explica a entidade no levantamento. “12 das vítimas foram identificadas como heterossexuais, justificando-se sua inclusão neste relatório pelo fato de terem sido mortos devido a seu envolvimento com o universo LGBT, seja por tentarem defender algum gay ou lésbica quando ameaçados de morte, seja por estarem em espaços predominantemente gays ou serem ‘T-lovers’, amantes de travestis. Do mesmo modo que um branco morto por defender quilombolas deve ser incluído sem sombra de dúvida entre as vítimas do racismo”, justifica o texto.

A maioria das vítimas tinha entre 18 e 25 anos (32,9). Outros 41,2% tinham idades entre 26 e 40 anos. 5,7% eram menores de 18 anos. Segundo o relatório, três travestis tinham 16 anos quando foram mortas. “Esses assassinatos de menores travestis tocam numa ferida delicada e trágica do universo LGBT+: a precocidade da inserção de adolescentes na prestação de serviços sexuais, prática ilegal e criminosa na perspectiva dos clientes, solução inevitável por parte das trans adolescentes, que expulsas de casa não encontram outro meio de sobrevivência a não ser vender seus corpos na calada da noite”, analista o Grupo Gay da Bahia. Ainda segundo o levantamento, em 1,9% dos casos, as vítimas eram idosas.

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