Defesa diz que testemunhas de acusação tiveram ‘falsas memórias’, no Caso Kátia Vargas

 

Um bate-boca entre o promotor Luciano Assis e testemunhas de defesa levaram a juíza Gelzi Souza a suspender por cinco minutos o julgamento da médica oftalmologista Kátia Vargas. A discussão começou após o advogado da família dos irmãos Emanuel e Emanuelle Dias, Daniel Keller, dizer que o perito Almeri Espíndola, que tem testemunhado a favor da médica, foi contratado por ela e estava hospedado em Salvador com despesas custeadas pela ré. O perito tem contestado a tese de que a médica teria colidido contra a moto das vítimas intencionalmente. A defesa chegou a levantar a tese de que as testemunhas de acusação tiveram falsas memórias, quando elas criam lembranças para um fato. Isso não significam que os testemunhos sejam mentirosos, mas sim um ato para preencher uma falha da memória da testemunha. Keller disse, no entanto, que um estudo aponta que apenas 29% de falsas memórias são por indução e afastou essa possibilidade no caso de Kátia Vargas, já que as testemunhas prestaram depoimento pouco depois do acidente, antes da reconstituição, ocorrida em dezembro do ano passado. O perito disse ao advogado que tem um nome a zelar e que o promotor levantou suspeição de seu nome. Keller ainda voltou a perguntar quem bancou a vinda dele para Salvador, e ele respondeu que Kátia. No entanto, respondeu depois que tem “interesse em trazer os elementos que apontem para a verdade dos fatos “. A oitiva do perito gerou polêmica desde o início. A defesa da família tentou pedir a impugnação da testemunha, alegando que é crime de falso testemunho perito ser ouvido enquanto testemunha. O advogado sustentou que o depoimento poderia ter parcialidade. Apesar dos questionamentos, a juíza deferiu a oitiva de Espíndola.

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