Dinheiro público do PSC foi destinado a salário superior a R$ 350 mil da mulher de Witzel

 

Investigações da Polícia Federal (PF) apontam para salário superior a R$ 350 mil da primeira-dama do Rio de Janeiro, Helena Witzel, por integrar a equipe jurídica do PSC, partido do governador Wilson Witzel (RJ). Segundo a publicação da Folha, o salário, recebido desde janeiro de 2019, veio do fundo partidário, sendo uma das fontes públicas de financiamento das siglas do Brasil.

Ainda conforme a publicação, o salário mensal bruto de Helena foi de R$ 21,5 mil em 2019 e passou para R$ 22,4 mil em 2020. Já somando os rendimentos, o valor sobe para 207,4 mil, segundo os documentos do partido, que prestou contas à Justiça eleitoral.

Os documentos informam também que a primeira-dama assumiu o cargo com carteira de trabalho assinada, em janeiro de 2019, quando o marido também assumiu o cargo de governador do Estado. Ela foi indicada ao cargo por Witzel, para a mesma vaga que ele ocupou na legenda de março de 2018, quando abandonou a magistratura, até assumir a atual função pública.

Em nota à Folha, o partido afirmou que Helena é advogada do PSC nacional, contratada sob o regime celetista, sem exclusividade.

No período em que figurou como advogado do PSC, de abril a dezembro de 2018, Witzel teve salário de R$ 21.500. De acordo com a prestação de contas do PSC, sua remuneração líquida naquele ano somou R$ 166,2 mil.

Conforme a coluna Painel nesta quarta-feira (27), Helena tem parca experiência como advogada. Além disso, um contrato de R$ 540 mil do escritório dela, com empresa investigada na Lava Jato, é apontado como um dos principais elos entre o governador e o esquema de desvio de recursos. Sua inscrição na OAB foi deferida em março de 2015.

A primeira-dama atuou em poucos processos, quase todos relacionados a Wilson Witzel, em causas particulares ou envolvendo o partido no qual o marido é filiado. A Folha ainda afirmou que no Tribunal de Justiça do Rio constam apenas sete processos dos quais ela participou como advogada, seis deles na defesa da família Witzel.

Já no Tribunal Regional Federal da 2ª Região, ela aparece como advogada em apenas um caso, também como representante do marido. No Tribunal Superior Eleitoral, ela aparece também como uma das advogadas do PSC, partido do governador.

A carreira de Helena chamou a atenção dos investigadores. Outro fato também gerou estranheza. Ela e o marido mudaram o regime de bens do casamento para comunhão universal exatamente no período em que os primeiros depósitos do contrato foram feitos.

Witzel e Helena negam irregularidades. A Folha procurou a assessoria do governador nesta quarta e aguarda uma resposta.

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