‘Este laudo foi comprado’, diz advogado de acusação de Katia Vargas

Durante sua sustentação oral no julgamento da médica Kátia Vargas, nesta quarta-feira (6), o advogado de acusação Daniel Keller acusou a defesa de ter apresentado um laudo “comprado”. A médica é acusada de homicídio triplamente qualificado dos irmãos Emanuel e Emanuelle.

Em uma hora e meia de fala da acusação, Keller afirmou que o fato de já ter atuado como defesa em muitos outros casos o ajuda a perceber a estratégia dos colegas. Ele afirma ainda que Kátia Vargas, mais uma vez, mudou de versão, e justificou que isso se deve às mudanças de advogados da médica, que está na terceira banca em pouco mais de três anos de caso.

Keller exemplificou que, logo após o acidente, Kátia disse a um perito do Departamento Médico (DPT) que se envolveu em acidente após discussao de trânsito, e que após mudança de advogado alterou a versão e disse que estava dopada e nao lembrava o que aconteceu.

O advogado de acusação também leu o relatório onde o perito afirma que ela estava lúcida e orientada no tempo e no espaco quando declarou que houve uma discussão de trânsito. Diante do fato, o advogado usou os depoimentos das testemunhas de acusação para confirmar sua tese de que houve discussão, perseguição e a batida do carro na moto.

Daniel Keller reiterou ainda que a defesa se prende a fatos periféricos: “senhores jurados, todo mundo sabe que ontem eu, Daniel Keller, tive uma indisposição com o perito convocado pela defesa. Mas, senhores, no momento da discusso voces lembram onde o promotor David Galo estava? Alguém lembra se a juíza Gelzi ficou sentada ou levantou? Cada um vai dar uma resposta, pois todos prestaram atenção no momento nuclear que foi a indisposição. Então isso acontece com as testemunhas. O caso aconteceu em frações de segundos e cada um pode ter uma percepção com relação onde estava”.

Segundo o advogado, no momento do tapa que o motociclista deu no carro da médica é que a mãe Kátia Vargas “se transforma na homicida”.

“Eu aprendi com meu mestre em direito penal Gamil Föppel, que está aqui presente, que para ser advogado penal tem que ter coragem. E eu tenho coragem falar que esse laudo foi comprado. Ora, o assistente técnico foi contratado para confirmar a tese da defesa. Se não fosse assim, não estaria aqui”, disparou.

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