Ministério Público defende manutenção da prisão de Iuri Sheik

 

Réu confesso do assassinato de um homem no São João do ano passado, o influenciador digital e empresário Iuri Sheik teve os pedidos de liberdade contestados pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA). Há cerca de quinze dias, o promotor João Manoel Santana Rodrigues defendeu a manutenção da prisão preventiva dele.
De acordo com um documento ao qual o CORREIO teve acesso, a defesa do influenciador argumenta que ele já está mais de um ano (435 dias) preso e o processo criminal segue em investigação, portanto sem ser encerrado, e que há frequentes adiamentos de audiências. Para os advogados do caso, a manutenção da prisão trata-se de um “constrangimento ilegal” diante do excesso de prazo da ação penal a qual ele responde.

No entanto, o promotor não viu sentido na argumentação, já que a prisão preventiva foi decretada por força do grave crime do qual Iuri é acusado. João Manoel Rodrigues justificou que “o prazo para encerramento da instrução criminal não pode ser analisado de maneira matemática, fatalista, diante das inúmeras peculiaridades e particularidades de cada feito, cuja complexidade, dentre outros fatores, deve ser analisada para aferição da razoável duração do processo”, escreveu.

O promotor comentou ainda que o caso é complexo porque o MP-BA solicitou depoimentos de oito testemunhas, além das seis apresentadas pela defesa, totalizando 14 pessoas a serem ouvidas, sendo que 13 delas são residentes em Salvador. O caso aconteceu em Santo Antônio de Jesus. Por causa do número de testemunhas, isso contribuiria para um prazo maior para o encerramento do caso.

Atualmente, a conta de Iuri Sheik no Instagram segue privada.

Relembre o caso

O influenciador digital foi acusado, e confessou, ter atirado contra um homem identificado como William Oliveira, 28 anos, ex-sócio da banda de pagode Black Style. O fato aconteceu na noite de 23 de junho de 2019, em uma festa de paredão em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano. A vítima foi atingida no peito duas vezes, chegou a ser internada, mas morreu três dias depois. William deixou três filhas: a mais velha de 13 anos, uma de 11 e a caçula, que na época tinha apenas 40 dias de vida.

Conforme noticiado pelo CORREIO na data do ocorrido, Iuri teria disparado contra William porque este tinha recusado cumprimentá-lo. “Inicialmente, a versão que chegou para nós foi que havia acontecido uma briga de trânsito. No entanto, foi ouvindo as testemunhas que chegamos à nova versão do fato. Todos ouvidos até agora contam que Iuri estendeu a mão e William disse: ‘não vou dar a mão porque não gosto de você’. Então, Iuri foi no carro, pegou a arma e atirou”, contou o delegado Edilson Magalhães.

A recusa de Willian seria por causa de uma rixa antiga com o digital influencer. “Parece que foi coisa de fofoca, picuinha no meio artístico. O porquê da rixa não é o mais importante. O importante é o fato do cara ter atirado porque o outro não o cumprimentou. Isso é o fato imediato. Temos testemunhas que viram ele atirando”, complementou Magalhães.

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