Morre artista plástico Frans Krajcberg, aos 96 anos

 

Nascido na Polônia em 1921, mas que se definia como brasileiro por já morar há quase 60 anos no país, morreu nesta quarta-feira (15), aos 96 anos, Frans Krajcberg, um dos artistas plásticos de maior projeção internacional e que ficou conhecido por trabalhar a obra em madeira calcinada de incêndios ambientais. Essa era uma das formas que o artista tinha de chamar a atenção para a degradação das florestas.

Krajcberg estava internado havia um mês no Hospital Samaritano, em Botafogo, na Zona Sul da capital fluminense, com quadro de infecção. O corpo do artista será cremado e as cinzas serão levadas para o Sítio Natura, em Nova Viçosa, no sul da Bahia.

Escultor, pintor, gravador e fotógrafo, Krajcberg estudou engenharia e artes na Universidade de Leningrado e mudou-se para a Alemanha, ingressando na Academia de Belas Artes de Stuttgart, depois de ter perdido todos os familiares em um campo de concentração, durante a Segunda Guerra Mundial.

Em 1948, o artista plástico chegou ao Brasil, residindo primeiro no Paraná, e em 1956 no Rio de Janeiro, onde dividiu o ateliê com o escultor Franz Weissmann (1911-2005). Em 1951, ele já havia participado da 1ª Bienal Internacional de São Paulo, com duas pinturas.

Governador decreta luto oficial

O governador Rui Costa decretou, na tarde desta quarta-feira (15), luto oficial no estado de um dia pela morte do artista plástico Frans Krajcberg. “Não tenho palavras para definir o que significa a perda do artista plástico Frans Krajcberg para a Bahia e para o mundo” afirmou o governador em seu perfil oficial no Facebook.

Rui destacou a dedicação do artista, que morreu aos 96 anos, à defesa do meio ambiente. “Esculpiu, impressionou e sensibilizou a todos. Tudo o que ele construiu continua preservado para esta e para novas gerações”, concluiu o governador.

Em 1957, Krajcberg naturaliza-se brasileiro e passa a residir em Nova Viçosa, na Bahia, a partir de 1972, e amplia trabalho com escultura, iniciado em Minas Gerais. Intervém em troncos e raízes, entendendo-os como desenhos no espaço. Essas esculturas fixam-se firmemente no solo ou buscam libertar-se, direcionando-se para o alto. A partir de 1978, atua como ecologista, luta que assume caráter de denúncia em seus trabalhos: “Com minha obra, exprimo a consciência revoltada do planeta”, disse, em registro da Enciclopédia Itaú Cultural.

O artista plástico viaja constantemente para a Amazônia e Mato Grosso, e registra por meio da fotografia os desmatamentos e queimadas em imagens dramáticas. Dessas viagens, retorna com troncos e raízes calcinados, que utiliza em suas esculturas.

Na década de 1980, inicia nova série de “gravuras”, que consiste na modelagem em gesso de folhas de embaúba e outras árvores centenárias, impressas em papel japonês. Também nesse período realiza a série africana, utilizando raízes, cipós e caules de palmeiras associados a pigmentos minerais. Krajcberg sempre fotografa as suas esculturas, muitas vezes tendo o mar como fundo. O artista, ao longo de sua carreira, mantém-se fiel a uma concepção de arte relacionada diretamente à pesquisa e utilização de elementos da natureza. A paisagem brasileira, em especial a floresta amazônica, e a defesa do meio ambiente marcam toda a sua obra.

COMPARTILHAR