Natal fica mais caro com alta do dólar

Pesquisa feita pela Associação Brasileira de Supermercados mostra que a tendência entre os empresários do setor é de pessimismo quanto ao consumo dos importados

Itens tradicionais da lista de importados típicos das ceias de fim de ano, castanhas, amêndoas e frutas cristalizadas vão exigir de lojistas e consumidores verdadeiro malabarismo para que sejam mantidos na escalação das delícias que embalam as confraternizações. Com o dólar ainda em elevação frente ao real, os preços desses produtos permaneceram elevados, como nos anos anteriores. O cenário será de concorrência forte promovida pela mercadoria nacional. Pesquisa feita pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras) mostra que a tendência entre os empresários do setor é de pessimismo quanto ao consumo dos importados, que deverá entrar em campo negativo. Um motivo adicional de desânimo do comércio em Minas é o atraso no pagamento do 13º salário dos servidores estaduais.

De acordo com o levantamento feito pela Abras, as vendas de produtos importados, de maneira geral, devem apresentar queda de 4,17% em relação aos números registrados no ano passado. A maior baixa é esperada para as frutas secas, de 4,01%. Os vinhos importados também vão enfrentar retração de 2,66% e os espumantes, de 0,34%. Por outro lado, as frutas nacionais da época estão no campo positivo das expectativas, embora de pequena variação de 0,5% nas vendas, comparadas às de 2016. Em alguma medida, as estimativas são de que o consumidor optará por elas na hora de montar o cardápio da ceia.

Para o economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Fábio Bentes, o momento pode trazer surpresas e apresentar números melhores que a expectativa do setor. Segundo ele, a se basear pelos indicadores de importação do último trimestre, que apontaram avanço, principalmente de vinhos importados, nozes e bacalhau, as vendas ainda podem crescer.

A despeito da valorização do dólar sobre o real, lembrou Bentes, a moeda norte-americana está cerca de 3% mais barato que em 2016.

Safra e preferência Bentes destaca que em todas as datas comemorativas deste ano o comércio apresentou melhora dos negócios, na comparação com 2016. Isso, na opinião dele, já pode ser bom indicador de um cenário mais positivo para o setor. O economista diz que os preços dos alimentos caíram ao longo do ano, sobretudo em razão da virada nos índices que retratam o comportamento da economia e também pela boa safra nacional. O quadro, porém, pode indicar a possibilidade de o cliente fazer ajustes com produtos brasileiros.

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